Homem Aranha Noir: Conheça Peter Parker em sua versão da Depressão dos anos 1930

Uma das capas originais da minissérie

Arte cheia de contrastes lindos e clima de filme de suspense

O ano é 1933, os Estados Unidos se encontram mergulhados na depressão econômica que havia sido inaugurada pelo grande crack da bolsa de Nova Iorque em 1929. Milhares de pessoas se encontram sem emprego, moradia ou esperança, e a miséria assola o país que viria a ser o mais poderoso do mundo. Nova Iorque, nesse cenário, se encontra sitiada pela corrupção e tráfico de influência de gangsteres, políticos sujos e policiais desonestos.

É nessa ambientação que surge “Homem-Aranha Noir”, primeiro título a ser lançado no Brasil do universo Noir criado pela Marvel entre 2009 e 2010. A idéia desse novo universo é a construção de um clima que junte Filme Noir – “Dália Negra” de Brian de Palma no cinema e L.A. Noire nos games são exemplos modernos que emulam esse estilo – e ficção Pulp – os avós dos quadrinhos da era de ouro, como “Spider: Master of Men”, “Doc Savage” e outros que terão seu próprio post aqui nA Horda um dia. O resultado é um universo bastante sóbrio, com ambientações complexas e ricas e muito mais ênfase no clima do que nos poderes dos personagens.

No caso do amigão da vizinhança, o resultado é ótimo. O roteiro fica por conta de David Hine e Fabrice Sapolsky – Hine é veterano dos quadrinhos, tendo começado sua carreira na lendária revista britânica 2000 AD e Sapolsky é fundador e editor da revista de quadrinhos francesa “Comix Box”. A história nos mostra o jovem Peter Parker no cenário que descrevemos, sendo criado pela boa e velha tia May. A diferença aqui é que Ben e May Parker são militantes socialistas que, nos bairros miseráveis, tentam manter os trabalhadores pobres unidos para se protegerem dos interesses dos bandidos e das classes mais ricas. A maior conquista que May protege é um centro de assistência popular que provem abrigo e comida, e mesmo assim vai contra os interesses do crime organizado.

Como o Duende, Norman está mais frio e cínico do que nunca

Esse crime organizado vem na figura genial do Duende, Norman Osborn. Sempre acompanhado de seu séquito de capangas – as versões noir de Kraven o caçador, Abutre e Camaleão, além de outros personagens inéditos – Osborn estende sua influência por toda a cidade, agindo com um déspota entre os corruptos. Foi, aliás, o chefão que ordenou o brutal assassinato de Ben Parker, quando o militante entrara em seu caminho.

Convém não exagerar nesta resenha para não estragar os detalhes deliciosos da adaptação – a Gata Negra e Ben Urich recebem seus tratamentos noir também, por exemplo. Basta dizer que o jovem bondoso e de criação socialista Peter Parker, ao ser picado por uma aranha africana especial se descobre com poder suficiente para agir onde os mais fracos não são capazes, e decide lutar para libertar o povo de Nova Iorque do jugo dos criminosos e vendidos.

A arte fica por conta de Carmine Di Giandomenico de “Magneto: testamento” e só merece elogios. As personagens são expressivas e tem linguagem corporal e aparências únicas e marcantes. Os cenários são todos desenhados conforme uma idéia geral urbana e suja, e mantêm o leitor do início ao fim imerso no frio e desalento da Nova Iorque da depressão.

Pelas figuras desse post já dá pra sentir a maravilha que é a arte né?

Nota 10 também merece o tratamento dos quadrinhos – esse realizado pelos roteiristas e pelo desenhista eu suponho. As seqüências são claras e belas, a clareza da narrativa não usa nem a arte de cores fortes e lindas nem o roteiro ágil de falas bem escritas como muletas. Cada quadrinho parece ter sua razão de existir e as páginas tomadas como conjunto são todas dignas de se ter penduradas na parede de casa.

Quem quiser ampliar os horizontes de “Homem-Aranha Noir” ainda pode jogar o game para PS3 e Xbox360 “Spider Man Shattered Dimensions“, que se divide em quatro versões do aracnídeo, entre elas a versão justiceira e tensa dos anos 1930. A versão Noir apresenta jogabilidade baseada em jogos de espionagem, devemos nos manter nas sombras e atacar furtivamente para não sermos descobertos.

Fica a dica. Homem-Aranha Noir está nas bancas pela Panini e sai por 17,90. Pode parecer caro à primeira vista, mas quando levamos em conta que são quatro edições de uma mini-série, encadernadas em capa dura com papel de qualidade, a coisa fica com preço ótimo em perspectiva. A edição está mesmo muito acima da média e vale a pena para nós colecionadores compulsivos.

Por enquanto mais nenhum Noir chegou no Brasil, se chegarem nós vamos ler e resenhar o quanto antes. Estamos particularmente ansiosos pelos títulos estrelando Wolverine, adaptado como um detetive particular no mais puro do estilo film Noir – com tudo de sujo e de glamoroso que tem.

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Comments
3 Responses to “Homem Aranha Noir: Conheça Peter Parker em sua versão da Depressão dos anos 1930”
  1. Daniela Gianini says:

    Bem diferente e do jeitinho que gosto encadernadooo!!!! Vou ler o mais rapido possivel!!!

  2. Capone says:

    Loco… assim que possível, lerei-o-o-o…

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  1. […] de lançar a versão anos 1930 do bom e velho Peter Parker em Junho – veja nossa resenha de Homem Aranha Noir aqui – a Panini traz para nós a versão Noir da equipe mais bem sucedida do universo Marvel, os […]



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