X-Men: Primeira Classe review: recriação das origens quaaase foi genial

Estão aí os motivos pra você assistir esse filme: dois atores fodões como Professor X e Magneto

Vamos começar falando do jeito mais fácil e curto possível: “X-Men Primeira classe” é um filme legal. É bem feito, cheio de cenas empolgantes, os dois papeis principais – James McAvoy como Professor Charles Xavier e Michael Fassbender como Eric “Magneto” Lehnsherr – impressionam de tão bem interpretados e, no fim das contas, vai ter valido o preço do ingresso. Fã de quadrinhos ou não, o filme vai agradar nem que seja um pouco.
Então qual é o problema? Por que eu fiquei tão incomodado assistindo? Acho que o motivo principal é que o filme podia sem muita dificuldade, ser genial, e acabou se contentando em ser medianamente bom.
“X-Men Primeira Classe” é dirigido por Matthew Vaughn, de “Kickass” e o bonitinho “Stardust”. O ponto alto são, sem dúvida, as atuações de McEvoy (muito legal em ”O Procurado”) e Fassbender (inesquecível em “Bastardos Inglórios”), que dão vida de maneira genial aos dois pontos de vista rivais sobre o destino dos mutantes – conciliação com os humanos ou isolamento e guerra contra eles. Uma pena que, proporcionalmente, as cenas dos dois juntos, e mesmo as cenas de um ou de outro sozinho, ocupam muito pouco do filme.

É uma pena, mas dá pra sumir com quase metade do elenco sem mudar o filme - ou até melhorando

A trama acaba recheada de personagens sem vida nenhuma. A maioria dos mutantes do filme parece ser escolhida, ou aleatoriamente, ou como um desfilezinho de poderes chamativos. Optou-se por ignorar tudo da origem dos X-men nos quadrinhos e montar uma equipe absolutamente variada, que mistura personagens de mais de 40 anos de disparidade em uma coisa só. Como são muitos, ninguém tem tempo de ser apresentado de fato: Alex “Destrutor” Summers é plano feito uma tábua, sendo definido apenas como “problemático” ou qualquer coisa assim; Sebastian Shaw, grande inimigo do filme, é um dos vilões mais sem sal dos últimos tempos, sendo simplesmente “mau”, beirando o Dr. Evil ou o vilão do primeiro filme das Panteras. Quem se salva além dos já citados líderes mutantes, é Mística, a metamorfa vivida pela bonitinha Jennifer Lawrence e que deixa de ser quase um bicho – na trilogia X-men do cinema – e passa a ser uma complicada, simpática e decentemente interpretada mocinha azul (que, pra mim, não precisava ter escamas, podia ser só azul, mas whatever). O descaso com personagens chega ao ponto absurdo de um dos vilões simplesmente não abrir a maldita da boca para nada – não bastando ser um personagem que ninguém fazia questão de lembrar nos quadrinhos.

O vilão caricato e sua parceira, a vilã sem graça - como é que se deixa uma mulher linda que vira diamante sem graça eu não sei....

A trama gira em torno da crise dos mísseis de Cuba, fato real que ocorreu em 1962 durante a Guerra Fria. De maneira tosca e simplificada – da minha parte, calma – a coisa girou em torno da instalação de mísseis em posições estratégicas, tanto pelos EUA, quanto pela União Soviética, e costuma ser lembrada como o mais perto que a humanidade esteve da guerra nuclear e da aniquilação. No filme, Sebastian Shaw – mutante mau e fanático…e só…. – cria essa situação através das suas manipulações em ambos os governos. Seu objetivo? Melhor ver para pegar os detalhes, mas confesso que achei bobo. O filme, do começo ao fim, deixa meio claro que quer ser um filme “sério”, “maduro”. A história, porém contraria isso bastante. Acaba soando como uma história de James Bond das mais leves e loucas – por favor não me levem a mau, adoro 007 dos mais brutos aos mais babacas, mas quando um filme pinta uma cara de sério e quer falar de discriminação e citar holocausto nazista, convém que não soe como Pierce Brosnan comedor num carro com mísseis.
Há um esforço bem grande de dizer “como” as coisas são feitas. Como o professor tem o cérebro? – maquina que amplifica sua telepatia e faz com que seja uma baba achar mutantes. A CIA construiu. Por que diabos a CIA construiu isso?? Simples, no filme, os X-men são iniciados como uma espécie de equipe super-humana da CIA. Mais uma vez convém assistir para ver detalhes. A idéia é interessante e podia ser boa mesmo, mas acaba perdida num filme que tem que apresentar personagens demais em tempo de menos e sem muita razão de ser na maioria dos casos. Ouso dizer que, limando um terço dos personagens, já dava para o filme ser bem melhor, mas isso é um prognóstico beeem simplista.

Até o elmo do homem eles quiseram explicar!

O filme é bom? É bom. Mas poderia ser maravilhoso, principalmente sendo baseado nas atuações de dois realmente ótimos jovens atores, que conseguem dar vida e detalhes de personalidade com sutileza e classe. Você vai gostar do Professor X e respeitar sua bondade e vai pagar um pau para Magneto com sua determinação e força de personalidade.

Mesmo sem esse possível brilhantismo, continua sendo legal. As atuações boas são ótimas, as medíocres não ofendem ninguém. Há bastante ação bem feita – as lutas do teleportador Azazel ficaram simplesmente FODA – e muitos efeitos visuais. Os últimos, porém, não me impressionaram, e não devem emocionar ninguém que, como eu, tenha olhos calejados de tanto ver computação gráfica. Em geral, porém, nerdice à parte, os poderes são bonitões – Nota 10 para as ondas sonoras do Banshee gritando!
No fim das contas o que fica com a gente do filme é diversão e um clímax interessante, que leva a uma conclusão interessante, que pode levar a um segundo filme muito superior.

Se for fã de quadrinhos – assista.
Se for fã de ação – assista.
Só não vá com expectativas altas demais – Não é um filme de personagens de quadrinhos do nível de “Batman: cavaleiro das trevas” mas nunca, de maneira alguma, poderia ser chamado de ruim como “Batman forever”. Tire suas próprias conclusões e volte aqui pra concordar com a gente – ou xingar, fazer o quê?

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Comments
10 Responses to “X-Men: Primeira Classe review: recriação das origens quaaase foi genial”
  1. Realmente, descordamos bastante em relação aos filmes, mas é questão de gosto (além de eu não ter lido X-Men Primeira Classe nos quadrinhos). Mesmo assim, gostei bastante da sua análise, opinião muito bem justificada.
    Até mais, Abraço!

  2. Dani Gianini says:

    Eu tambem não vi o filme e tb nem to com vontade de ver…. concordo com o Nico, por queeeee não colocar a equipe original???? olha a cara desse povo e os poderes então???? pra que mexer no que ja é bom????

  3. Nicolau says:

    Ainda naõ vi o filme, ams não entendo por que Diabos não colocar algo parecido coma equipe original dos X-Men na bagaça… Ciclope, Jean Grey, Fera, Anjo e Homem de Gelo. Equipe original é tradição, não é humilhação! No segundo filme, introduz a segunda formação, com Tempestade, Wolverine, Passaro Trovejante… Sei lá, sou um tradicionalista.

  4. Catarzo says:

    Olha… Eu respeito a opinião de quem criou o post, mas não tem como querer fazer o filme ‘maravilhoso’ pq quando acertarem os pontos para um grupo, outros vão reclamar.
    Não adianta! Eu assisti e achei ótimo (e nem ví os outros da saga). Sei que poderiam melhorar aqui e alí, mas criar um filme não é tarefa fácil. Se nem Jesus que é perfeito conseguiu agradar todo o mundo quanto mais uma equipe cinematrográfica O.o

  5. Andersony says:

    Cronologia zuada essa de colocar o Destrutor no filme…. Como o irmão mais novo do Scott Summers vira um dos primeiros X-men!?

    • DanielQSF says:

      Esquisito mesmo…do jeito que vai, pra eles colarem com os filmes originais, vão ter que transformar o Ciclope em irmão mais novo. Sem falar do ridículo que é o Destrutor fazer bambolês vermelhos ao invés de criar as ondas animais que desenhavam pra ele lá nos bons tempos do X-Men 30 e poucos.

  6. Lucas Tardin says:

    clap, clap, clap…. muito bom seu comentário.
    A coisa mais comum hj em dia são blogs de curiosos de cinema falando sem qualquer propriedade, levando o ‘gosto’ ao status de lei.

    Eu não me arrisco nessa área. 🙂

    Particularmemte, gostei.
    E sinceramente, fiquei até surpreso. (Achei que seria mais superficial.)

    Para que os personagens pudessem ser melhor trabalhados, e ganhassem seu merecido destaque, teríamos que ter um seriado (o que não seria má ideia).

    Mas conhecendo filmes de super-herois onde as cenas dramáticas chegam a ser constrangedoras de tão ‘pebas”, a história é um mero pretexto pra pancadarias e efeitos especiais o filme se superou.

    Não é melhor do que Watchman… mas tem sim um lugar ao sol.

    • DanielQSF says:

      Oi Lucas!
      Concordo com a ideia de seriado! Seria a melhor maneira de desenvolver personagens a longo prazo e ao longo de vários arcos com tramas variadas.
      Smallville – do qual eu não gosto pessoalmente – é um bom exemplo, que teve mil reviravoltas no roteiro e vários personagens incluídos, alterados, etc.
      Muitíssimo obrigado pela visita e pelo comentário! =D
      Esperamos conseguir sempre manter a coisa nesse clima de “analisar” ao invés de dar um aopinião sem base nenhuma. Não esperamos empurrar
      nossas opiniões goela abaixo pra ninguém e, se dermos opiniões, esperamos dar também argumentos para que elas não soem como birra de criança.

      Um abraço! Passe de vez em quando que prometemos não desapontar com a qualidade dos textos.

  7. Lui says:

    descobri recentemente que a Marvel vendeu os direitos dos X-Man e Homem-Aranha para Fox e Universal. Em ambos os casos acima, os estudios tem de lançar de 7 em 7 anos, filmes desses heróis para não terem seus direitos retornados a Marvel(studios).
    Os filmes do aracnídeo, foram bem legais e minnha esperança quanto as X-Man acabaram no segundo filme. Já tinha comentado com vc que o tá uma onda de desrespeito ao grandes heróis que me causa ódio(Watchmem, principalmente), portanto, vou concluir da seguinte forma: tanto o reboot dos X-man quanto do Homem Aranha, não me pegam.

    Abrass e Saudade.

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