Capitão América o Primeiro Vingador: um dos melhores filmes baseados em quadrinhos feitos até agora

Chris Evans com o uniforme de Capitão América

Começando simplista, Capitão América: o Primeiro Vingador é um filme ótimo, talvez o melhor filme de super-herói que eu vi até agora. Os personagens centrais são todos muito bem interpretados e o filme consegue se inserir tranquilamente no universo Marvel cinematográfico. Pronto, se você queria uma opinião curta e franca é essa: assista. Agora vamos aos detalhes que fazem tudo dar incrivelmente certo.

O filme conta a história de Steve Rogers, um rapaz franzino (muito fraco mesmo) que sentia a necessidade de ajudar nos esforços da Segunda Guerra Mundial pelos Estados Unidos. Seu pai morrera na lutando na Primeira Guerra Mundial e sua mãe como enfermeira, a coisa toda de servir um bem maior simplesmente está na formação do moço. Depois de muito penar, Steve acaba chamando a atenção do Dr. Abraham Erskine, e alistado para um projeto especial do exército. O objetivo é criar um exército de super-soldados com um soro criado pelo Dr. Erskine, mas devido a um atentado, Steve acaba se tornando o único exemplo da tecnologia.

O que mais chama a atenção no filme é a construção de personagens, principalmente de Steve Rogers, o Capitão América. Chris Evans (em quem eu não tinha lá tanta fé por causa do horroroso Quarteto Fantástico) conseguiu interpretar muito bem a essência do personagem no filme: um homem bom e corajoso. O filme não vomita discurso patriótico desnecessário, ao invés disso se foca numa idéia de “lutar pelo bem de todos”, “lutar pelo bem”. Pode até ser uma fuga de questões políticas de certa forma, mas deixa a história emocionante e não compra brigas desnecessárias. Hayley Atwell ( de O Sonho de Cassandra, de Woody Allen)  consegue criar um personagem divertido com a esperta e meio sarcástica (e linda, diga-se de passagem) agente Peggy Carter. Tommy Lee Jones encarna um divertidíssimo coronel durão, Stanley Tucci no papel do Dr. Erskine está uma simpatia e até onde eu vi, todos os personagens estão muito legais. Os destaques obviamente ficam para o Capitão America e para Johann Schmidt, o Caveira Vermelha.

Johann Schmidt e o artefato conhecido como Tesseract

O Caveira Vermelha é o antagonista principal do filme e é uma espécie de “anti-Capitão América”. Quando o Dr. Erskine ainda estava na Alemanha, Schmidt (chefe da divisão de pesquisa de Hitler e gênio da pesquisa de armas) fica sabendo da existência do soro do super-soldado. Schmidt força Abraham Erskine a lhe aplicar o soro e se torna um homem superior mas, por usar uma fórmula pouco aprimorada, sofre terríveis deformidades. Trata-se de um homem obcecado pelo poder de tal maneira que decide passar o próprio Hitler para trás e usar o poder que sua divisão acumulou para tentar dominar o mundo. Esse poderio todo é garantido por um artefato antigo conhecido como Tesseract (que alguns consideravam lenda, mas Schmidt buscou por anos) que permite a criação de armas de energia muito além da tecnologia da época. Esse homem obsessivo e furioso é interpretado pelo talentosíssimo Hugo Weaving, nosso tão famoso Agente Smith e Elrond, que só pela voz profunda já cria cenas impressionantes.

Capitão América: o primeiro vingador é um filme que vai agradar qualquer um, seja fã de quadrinhos ou não, por sua inegável qualidade. O ritmo é impecável, o roteiro é repleto de diálogos divertidos e o diretor Joe Johnston consegue criar um clima muito específico que torna a experiência única. Steve Rogers nunca se destaca por ser um orador, ou um líder formidável, ele se destaca na sua ação como Capitão América. No restante do tempo, ele é exatamente o que diz aos outros “só um garoto do Brooklyn”. Juntando as muitas atuações competentes com o uso interessante de música incidental propositalmente “velha” (que faz lembrar automaticamente de filmes de guerra mais “bregas”) Joe Johnston Cris um clima de época muito bem feito e bastante consciente de si mesmo.

Steve Rogers e Peggy Carter

O percurso do Capitão América da Era de Ouro até a de prata (coisa de uns 10, 15 anos de quadrinhos) é mostrado e até um pouco discutido nas duas horas de filme de maneira muito competente. Da condição de símbolo artificial para a prova de fogo do campo de batalha, para a condição de símbolo real e lendário, o Capitão América nos aparece não como um norte-americano formidável, mas como um herói, e só. Isso tudo é realizado de um jeito leve, que tira risadas o tempo todo com o roteiro bem escrito. Eu tenho todo tipo de birra contra os americanos e saí do filme com um sorriso, admirando o personagem.

Fica a recomendação. O filme entrega tudo que prometeu e mais um pouco. Os fãs de filmes de ação vão adorar ver o Capitão América em combate – poucas vezes sentimos um personagem tão habilidoso e invencível; os fãs de quadrinhos vão adorar saber que a adaptação é ótima e que as liberdades tomadas só afetam personagens secundários e acabam ajudando muito mais do que “distorcendo” o original dos quadrinhos. Vale cada minuto de filme, cada fala e cada arremesso de escudo.

Convém ainda avisar: espere o fim da rolagem de créditos, você vai adorar…

PS: para não dizerem que não critiquei nada quero deixar bem claro que não vale a pena assistir em 3D. O preço do seu ingresso vai aumentar loucamente por uns bons efeitos de profundidade e um ou dois escudos vindo em direção à tela. Não vai fazer sua experiência particularmente melhor, embora não vá te dar desgosto nenhum também.

Confira também nosso review de X-Men Primeira Classe.

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Comments
6 Responses to “Capitão América o Primeiro Vingador: um dos melhores filmes baseados em quadrinhos feitos até agora”
  1. Jussara says:

    Gostei muito do filme, achei divertido e inteligente. Li apenas um dos quadrinhos do Capitão América, e sei que tem continuações. Espero que a Marvel continue a historia também no cinema pois estou muito curiosa para saber o que Steve Rogers vai fazer no futuro. Não vi os créditos finais do filme, me fale por favor o que aconteceu?

  2. Victor says:

    Olha, gostei do filme também. Acho que acertaram ao focar a história na construção do personagem principal. Também concordo que o Chris Evans foi bem e que o 3D é inútil. Mas não concordo que esse é um dos melhores filmes de quadrinhos já feito. Primeiro porque as cenas de ação são legais, mas não o bastante. A parte de guerra foi pouco explorada, assim como o Caveira Vermelha e a Hidra também foram. Se não bastasse isso, não dá para comparar esse filme com o Cavaleiro das Trevas, por exemplo. Anos-luz de diferença. Isso sem falar no Homem de Ferro 2 e o Homem-Aranha. Eu gosto do filme, principalmente em comparação com Thor e Lanterna Verde. Mas não achei tão ótimo assim.
    Abs

    • DanielQSF says:

      Tudo bem Victor?
      Eu também acho o Cavaleiro das Trevas o ápice de filme de quadrinhos até agora.
      Sobre Homem de Ferro 2 e Homem-Aranha, eu tenho a impressão que o Capitão America por um ou outro motivo foi mais bem construído, e que deu pra criar um clima que capturou muito bem a idéia do personagem.
      No fim das contas vamos cair no campo do “gosto” e não chegar a lugar nenhum =)
      Mas adoro os dois filmes que vc citou e respeito sua opinião, de repente se eu assistir o capitão de novo acho mais problemas hehe

      Um abraço! Valeu pela visita!

  3. Capone says:

    Muito bom esse texto, mas vou pedir um negocio que SE POSSIVEL, vcs atendam, comecem a dar NOTA pras analises de vcs… sao otimas, mas fica a dica.

    Abraco negads!

    @atilajss

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