Planeta dos Macacos: a Origem – intenso, provocador e simplesmente ótimo

Cesar e Will Rodman em Planeta dos Macacos: a Origem

James Franco interpretou bem, mas Cesar (Andy Serkis) roubou a cena de todo mundo

Depois de uma série original cultuadíssima e uma versão modernosa meia boca em 2001, Planeta dos Macacos ganha um filme contando o início do processo que levou à queda da humanidade e ascensão de uma nova espécie de macacos inteligentes evoluídos. Planeta dos Macacos: a Origem (em inglês Rise of the planet of the apes, ou ascensão do planeta dos macacos) é um filme ótimo do começo ao fim, tem um ritmo brilhantemente conduzido, é passível de análises interessantes e é dono de um climax de que você vai lembrar por muito tempo (até porque é capaz de assistir de novo no cinema, como eu pretendo).

No filme (dirigido por Rupert Wyatt, que não tem mais nada impressionante no curriculum, mas já ganhou meu respeito) James Franco é Will Rodman, um pesquisador dedicado a encontrar a cura para o Alzheimer – que, além de ser uma doença terrível por si só, aflige seu pai Charles, interpretado por John Lithgow. Will cria um tratamento de terapia genética que daria ao cérebro a função de regenerar as células perdidas para a doença. A questão é que durante a fase de testes em macacos, a droga manifesta o efeito de aumentar drasticamente a inteligência dos animais (devido a uma diferença em seus sistemas imunológicos, muito superiores aos humanos). Quando um acidente leva Genesys (empresa que financia a pesquisa do Dr. Rodman) a cancelar o projeto, Will consegue resgatar um dos macacos e criá-lo consigo. Esse pequeno chimpanzé viria a ser Cesar, o líder da revolução.

Cesar interpretado por Andy Serkis

Não é conveniente dar detalhes demais de um filme que conseguiu me surpreender tantas vezes em seus 106 min de duração. Basta dizer que Cesar, interpretado pelo monstro sagrado da expressão corporal Andy Serkis (o Gollum de Senhor dos Anéis e o King Kong, além de Monkey do game Enslaved: Odyssey to the west) é um personagem maravilhoso que nos leva por toda a extensão do filme de maneira comovente e interessante. James Franco está muito bem no papel de Will Rodman, conseguindo entregar cenas sensíveis e superar um pouco do meu preconceito com seu papelzinho fraco na trilogia Homem Aranha. Freida Pinto está usando seu rosto lindo e cara de moça sensível para interpretar a veterinária Caroline Aranha, uma moça bonita e sensível, papel sem problema nenhum mas também sem destaque. John Lithgow impressiona um pouco quem está acostumado com sua carona engraçada em 3rd Rock from the Sun (não conhece? Maldito seja!), mostrando um velhinho sofredor e frágil. Ah! Os fãs de Harry Potter podem aproveitar para ver que Draco Malfoy (Tom Felton) é malvado sem roupa de bruxo também (além de um atorzinho bem mais ou menos).

Freida Pinto e James Franco em Planeta dos Macacos a Origem

O que mais me pasmou em Planeta dos Macacos: a origem foi como o tempo do filme foi bem utilizado, fazendo uma narrativa simples se tornar uma coisa bem maior em significados. A 1 hora e quarenta e tantos minutos do filme passam de maneira muito fluida ao mesmo tempo em que parece muito mais tempo dado a quantidade de informações interessantes e cenas bem construídas que recebemos. As cenas de ação são todas, sem exceção, intensas e grandiosas e é simplesmente delicioso ver os macacos se moverem pelos cenários com sua agilidade natural (natural de computação gráfica, ok).

Qualquer história que mostre a humanidade perdendo, está em algum nível chamando a sua atenção para nossas falhas coletivas enquanto espécie. Em Planeta dos Macacos: a Origem, os humanos que aparecem estão sempre competindo, se traindo ou buscando objetivos individuais ou de lucro. Os macacos, logo que alcançam a razão (esse bem tão alardeado da humanidade) passam a cooperar entre si pela sua libertação coletiva. O filme é conduzido de maneira a não deixar dúvida sobre a justeza da revolta dos macacos; no fim das contas a mensagem é clara: a luta contra a opressão é correta.

Quem quiser esse tipo de questionamento vai encontrar em Planeta dos Macacos: a Origem. Quem não quiser, vai se emocionar e se divertir com uma história muito bem feita, cheia de grandiosidade e ancorada em um dos maiores clássicos da ficção científica nos cinemas.

 

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Comments
9 Responses to “Planeta dos Macacos: a Origem – intenso, provocador e simplesmente ótimo”
  1. Nicolau says:

    Pois é, ia dizer isso mesmo: a versão do Tim Burton e legal, po! Mas concordo que o companheiro Mark Whalberg não mandou nada bem na construção do personagem principal, seja por roteiro, seja por competência, rs. Mas o vilão do Tim Roth ficou legal, com uma expressividade corporal genial.

  2. DanielQSF says:

    Falha nossa: tinha escrito que os filmes originais eram uma trilogia quando na verdade são 5 filmes..=(
    perdoem a jumentice de quem escreveu com carinho, mas um pouco rápido demais.

  3. Capone says:

    ótimo texto… ja tava querendo ir no cine ver isso, agora que vou mesmo…

    Abraço ae cambada!

    @atilajss

  4. Seya says:

    Eu gostei da versão de 2001

    • DanielQSF says:

      Eu gostei muito da direção de arte, o Tim Burton é incapaz de errar no quesito construção de mundo e de clima, mas achei a trama fraca e não me empolguei com nenhum personagem.
      É gosto no fim das contas, talvez seja maldade minha falar mal no texto rs.
      Vou assistir de novo, se mudar de ideia peço desculpas publicamente hehe

      Abraço!

      • Seya says:

        Não, está certo, se não gostou tem que falar mesmo! Eu, por exemplo, que não sou fã de Star Trek, e sim de Star Wars, resenharia cada um de maneiras diferentes. Ou seja, tudo é questão de gosto mesmo.

      • DanielQSF says:

        Eu curtia Star Trek pacas (a série original) mas quase não entendo o culto todo que os fanáticos tem pela série. Star Wars eu amo a trilogia original e quero dar um cacete na moderna que quer transfomar o Darth vader num pobre coitado.

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