Gears of War: adaptação para os quadrinhos do esquadrão Delta de Marcus Fenix

As capas são o auge da adaptação de Gears of Wars para os quadrinhos

A panini lançou este mês o que deveria ser o sonho de muitos nerds por aí, juntando uma das séries mais famosas de jogos de tiro desta geração, Gears of War do Xbox 360 e uma das mídias mais tradicionais e amadas da cultura pop, as Histórias em Quadrinhos. A adaptação do game ultra-violento da Epic foi lançada entre 2008 e 2009 nos EUA pelo selo Wildstorm da DC comics e traz histórias independentes da narrativa central do game, mas usando os mesmos personagens, como Marcus Fenix, Augustus Cole e Jace Stranton, que pelo que eu entendi se juntará ao esquadrão delta em Gears of War 3.

 

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O que podia ser uma adaptação divertida e cheia de ação de um game com um enredo interessante e personagens machões armados até os dentes (que são superficiais, mas resolvem bem para matar monstros, falar frases de efeito e deixar a gente cheio de adrenalina) se torna uma galeria tosca de referencias que pouca gente vai engolir como um roteiro de fato. Esse semi-roteiro segue um grupo de Gears (os soldadões com cara de bravo espalhados pelas imagens deste post) da COG (coalizão dos governos unidos, em inglês)  em meio ao caos de combater os monstros subterrâneos conhecidos como Locust. Pode parecer premissa de documentário de guerra, mas é quase isso mesmo: as primeiras 2 edições da história (o encadernado da Panini traz a história Hollow, uma entre várias publicadas nos States) mal definem uma trama, só nos levando de sequência a sequência de combate contra a horda Locust  (ah!… as hordas….). Somente no terceiro volume os heróis decidem levar uma garotinha de um acampamento precário para Jacinto, a maior e mais segura cidade humana depois do surgimento dos Locust, constituindo de fato uma trama que somos capazes de relatar.

Curiosamente, a sensação é parecida com a do jogo: somos lançados em diversas arenas de combate contra inimigos progressivamente mais fortes. Soa bem, não? Parece que o roteiro de Joshua Ortega capturou perfeitamente a sensação de eviscerar monstros com um rifle lancer (dotado de uma serra elétrica brutal debaixo do cano). O que sentimos de fato, porém, é a impressão de estarmos assistindo alguém jogar uma versão mal ritmada de Gears of War. Os fãs vão ver seus personagens em sequências relativamente pobres em desenho (de Liam Sharp) e transições entre quadrinhos que acabam perdendo todo o dinamismo que uma chuva de balas caótica deveria facilmente ter.

A galeria de referências a que me referi anteriormente faz com que a história se torne imprestável para qualquer um que não tenha jogado por algum tempo Gears of War. O mais perto que a história passa de ser uma boa adaptação são as constantes citações de termos específicos do game como nomes de armas, eventos da trama e inimigos.

Gears of War é bastante fraco. Os desenhos de Liam Sharp na maior parte do tempo apresentam arte final suja (e ninguém me convence que seja de propósito por qualquer efeito), transições mal planejadas e composições de página que apesar de bonitas às vezes, não levam a qualquer ganho no ritmo da história. O roteiro consiste numa colagem de cenas de ação que mal permitem que os personagens usem qualquer frase que não seja no imperativo (corre! Pula! Atira!), as referências não vão saciar os fãs (que conhecem muito bem seus inimigos e aliados e vão ver o quão superficial eles foram retratados) e vai afastar qualquer um que quisesse uma introdução ao universo (bem rico, aliás) de Gears of War. Salvam-se as capas do original , contidas no volume e desenhadas por alguns artistas muito bons (que não desenharam nem um quadirnho do interior).

O volume da Panini está bonito com capa de papel cartão e lombada quadrada ostentando o símbolo do jogo em vermelho sangue sobre um fundo preto. A cara bonita pode te iludir a gastar R$18,90 nesse desastre: CONTENHA-SE!

Não culpo a Panini – que tem nos trazido muita coisa boa em edições bonitas e com preços, em geral, decentes – mas sim a DC que tratou tão mal uma série tão famosa e amada do mundo dos games.

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Comments
One Response to “Gears of War: adaptação para os quadrinhos do esquadrão Delta de Marcus Fenix”
  1. allancosta says:

    esse HQ é bem antigo, na verdade seria ótimo ler antes de jogar o 3, pois muitos personagens do HQ aparecem no novo game

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